" Deixai-me poetar;
em nome dos que não sonham;
dos que calçam desespêro;
em percursos cotidianos...
Dos que cruzam confluências;
em para-brisas de tédio;
dos fugitivos nos bares;
dos vencidos que se amam;
ou dos inocentes que esperam,
assim como eu... esta espera...
Mas deixai-me poetar;
neste esvair sem sentido;
com palavras indomadas;
e vocábulo próprio...
inventei um com K de possibilidades...
meu vocábulo, porém é manso...
Mas deixai-me poetar;
e cantar a vida que passa;
diante dos meus olhos;
e os destinos sem destino...
Para que meus versos sejam potros;
onde as crianças galopem;
sei da lógica das máquinas;
das avenidas neuróticas;
do roubo das alvoradas;
e dos anjos que se esperam...
Sou feito de tudo e de nada;
de arrependimento e certezas;
Mas, deixai-me poetar..."
Paulinho Rodrigues
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