Noite fria...
O ar me congela...
Nada me aquece...
Cobertas me guarnecem,
acaloram o meu corpo,
Febril.... tenho muita febre...
mas de minh’alma se esquecem...
Noite vazia...
Os minutos não passam,
as horas se resfriam
e preguiçosamente
empurram os ponteiros
de um relógio cansado,
querendo parar.
Minha solidão aumenta
nessa noite fria,
que não quer terminar...
Os cantos da casa
parecem me olhar...
Desejam me abrigar,
mas, permanecem calados.
O guarda apita, lá fora,
rondando e afrontando o passar das horas.
Sente o frio na pele que o impele
a rondar e a vigiar. E o frio na alma?
É o pior que há!
Talvez não o sinta...
Mas, ele está lá.
Me faz ponderar
que não estou só...
Meu pensamento vai lá, junto a ela, sempre...
Também os anjos da guarda,
apesar da fria madrugada
fazem-me companhia...
Quem sabe me façam poesia!
E a manhã nasça ensolarado,
claro, iluminando, iluminado...
De perceber que tudo que apenas quero, e querer-te bem...
de uma noite fria e vazia.
Agora minh’alma não mais se arrefece...
Ao crer no amanhã, se aquece e adormece.
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